domingo, 22 de fevereiro de 2009

Onze coisas para fazer no carnaval quando não se foi viajar, nem sambar, nem se divertir.

Por Felipe Grilo.

1) Faça uma lista e publique em um blog.

2) Leia sobre qualquer coisa: sexualidade feminina, síndrome de Estraburgo, astronomia para amadores, baleias, dinossauros, doenças neurológicas e psiquiátricas (faça seu auto-diagnóstico com seriedade), notícias do G1.

3) Aproveite que você tem uma Teoria da Conspiração de Curso (TCC) a fazer para concluir sua faculdade, vá a um local sossegado e leia sobre a eficiência da comunicação na construção de marcas em um mundo imediatista.

4) Fique no youtube vendo qualquer idiotice: os melhores virais do ano passado, as comédias stand-up mais engraçadas, aqueles clipes que só você gosta, mensagens de PowerPoint, etc. Depois publique tudo no Orkut.

5) Se você tirou sua carta de motorista recentemente, aproveite que a cidade está vazia e treine suas barbeiragens que usualmente chama de manobras. Mas se você ainda não tirou, espante o pó da sua apostilinha e prepare-se para a prova do Detran.

6) Baixe todos os episódios de Lost, Prison Break, Dexter, House e qualquer outro seriado da Fox que seus amigos acompanham, e que deixam você deslocado quando entram no assunto.

7) Inscreva-se em vagas de emprego que não condizem com seu perfil (só para ver no que dá).

8) Se você é criança, suba em um muro alto e cuspa de lá de cima. Se você é adolescente, passe um trote. Se você é adulto, experimente comprar algo pelo Polishop.

9) Espere todas as pessoas saírem de casa, afaste os móveis e treine suas técnicas secretas de kung-fu ou dança do ventre (conforme sua orientação sexual).

10) Exercite-se: caminhe até a padaria e compre um pote de sorvete, vá ao mercado e pegue umas brejas e uns salgadinhos, passe na locadora e alugue uns 6 DVDs.

11) Ligue para os seus amigos entediados e combine um teatrinho alternativo, uma exposição underground ou um filmezinho paquistanês. Zombe dos outros que estão em Ubatuba.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Espontaneidade.

Por Felipe Grilo.


A minha psicóloga (eu faço terapia) disse que eu preciso ser mais espontâneo. De fato, eu sou metódico, sistemático demais. E quem me conhece sabe que eu fico frustrado com meus entraves racionais. Pois bem. Perguntei a ela, no meu tom irônico de sempre, como eu faria para ser mais espontâneo: "batendo os calcanhares?" Ela riu, mas não resolveu meu problema.

Então tudo bem! Tudo bem, então! Vamos ser mais espontâneos, senhor Grilo! Vamos bater os calcanhares!

Passei a dar tchauzinhos pro computador antes de desligá-lo. O pessoal da agência onde trabalho falou menos comigo por um tempo.

Antes dava risadas moderadas, daquelas para dentro. Hoje dou risadas altas e curtas, bem espalhafatosas. Às vezes esqueço que meu chefe está no telefone no outro lado da sala.

Ando na rua de braços abertos como se fosse um avião. INHÓOOOOOOINNNN! As pessoas desviam para a outra calçada.

Ainda na rua, às vezes me pego em flagrante andando e dando pulinhos iguais aos daquele corvo, que uma vez apareceu no desenho do pica-pau. Lembra? Pra cada três passos lentos, um pulinho frenético pra cima e mais três passos lentos. É bem gostoso andar assim, mas acho que ninguém experimentou.

Cumprimento os porteiros todas as vezes que os vejo porque, simplesmente, esqueço que os vi a cada cinco minutos. Ou seja, o Seu Arlindo, que é velho e está esclerosando tanto quanto eu, até que me acha simpático. Os outros cumprimentam por educação.

Hoje eu aviso que vou fazer cocô quando tem visita em casa. Antes segurava firme. Para dar um upgrade no meu eu-espontâneo, vou deixar de avisar. Acho que também pediria pra fazer cocô em casa de parente ou amigo. E eu gosto de falar bem assim: "fulano, me dá licença que agora eu vou curtir o meu momento Activia".

Isso só não virou costume porque se virasse não seria espontâneo: sempre que chego do trabalho, puxo a minha mãe pra dançar (coisa que não sei fazer, então só pego nas mãos dela e fico girando pela sala). Também abraço ela quando me dá vontade e, pra quem não sabe, eu adoro um bom abraço. Minha mãe, que não é afetuosa tanto quanto eu, reclama um pouco desse meu grude. Mas quando era diferente, ela era mais amarga.

Estamos há uma semana sem água regular por causa de um entupimento de cano. A Sabesp veio aqui, mas não fez nada até agora. O síndico ligou pra lá, mas além disso não fez nada até agora. Bem, além do incômodo de tomar banho de canequinha por causa do racionamento, minha mãe não pode lavar as roupas. Do que adianta tomar banho se você não tem o que vestir depois? Estou pensando seriamente em fazer uma visitinha ao síndico da forma como vim ao mundo. Quem sabe ele fica traumatizado ao ver tamanha beleza (mentira) e faz algo pra agilizar o processo?

Mas aí penso nas consequências (sem trema) e tremo diante delas: posso ser preso por atentado ao pudor. Ai, as consequencias! E é sempre isso que me deixa preso em mim.

Fora as coisas do dia-a-dia, escrevo até poeminha de amor. Coisa que detesto fazer porque me obriga a dar vazão aos sentimentos. Fiz com o mais profundo sentimento que uma pessoa como eu consegue sentir. Fiz no propósito de dedicar a uma pessoa especial. Ficou bonito, não me arrependo. Ela continua minha amiga, mas continuo solteiro. E, claro, continuo ouvindo de algumas Julia Roberts e de alguns Richard Geres por aí que "ainda vai aparecer a garota certa pra você".

Infelizmente, com tudo isso, percebi que as pessoas querem me ver espontâneo, mas só aceitam se for do jeito delas. Do jeito que estão acostumadas. Engraçado como isso parece tão... metódico e sistemático por parte delas. Credo! Eu não sou assim.


*Quando a moça do comentário do meu último post perguntou onde eu tava, senti que fazia falta e resolvi tirar algo do cérebro. Marcia, obrigads!