segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Um acorde,um delírio

Não é segredo para ninguém que a música popular brasileira é uma das mais ricas, tanto harmonicamente, como na sua contundente poesia, representada por grandes nomes como Chico, Vinícus, Tom, Daniel Ramos. Mas nesse post vamos tratar de um segmento da MPB que é muito pouco focado, porém todos nós, uma vez ou outra, nos pegamos cantarolando essas gloriosas pérolas, que aqui vamos chamar de" um acorde, um delírio!"
Como ja foi dito, a lingua portuguesa é uma fonte inesgotável para o talento de nossos compositores, e alguns deles se aproveitam dela para criar canções inesquecíveis, daquelas que você apenas ouve a primeira nota da introdução, e antes que o cantor inicie já estamos em catarse total. Fiz então uma lista de algumas dessas canções, que tem por capacidade arrancar aquele grito de euforia, preso pelo nosso dia-a-dia, mas que só a nossa boa e velha música e popular pode fazer por nós. Vamos a elas:
Maravilhosa(Ivan Lins)
Essa é sem dúvida a que mais estampa o tema desse post. Com certeza, ao ouvir os primeiros acordes, até aquele paciente em coma, no décimo andar da santa casa de saúde, balbucia algo como:
"QUERO...(gritos, fusuê, aplausos efusivos, calcinhas atiradas ao palco...) SUA RISADA MAIS GOSTOSA
E ESSE SEU JEITO DE ACHAR,QUE A VIDA PODE SER MARAVILHOSA..."
Brincar de viver(Guilherme Arantes)
Outro grande exemplo dessa categoria que podemos incluir nessa lista. Parece que os pianistas tem uma certa tendência a criar grande introduções para suas canções, e nosso amigo Guilherminho não foge a regra:
"QUEM ME CHAMOU(e começa a grande onda de alegria e o lugar se incendeia, e até o hipertenso na segunda fila sente umas pontadas...)
"QUEM VAI QUERER VOLTAR PRO NINHO, REDESCOBRIR SEU VIVER...."
Oceano( Djavan)
Nosso bom e velho amigo Djavan também produziu suas pérolas delirantes, e essa, além de ser um dos seus maiores sucessos, fecha maravilhosamente o ciclo do "um acorde,um delírio"
"ASSIM( os aplausos e gritos agora atingem 140 decibéis e o hipertenso na segunda ja sente uma adaga de fogo lhe atear o peito)
"QUE O DIA AMANHECEU, NO MAR ALTO DA PAIXÃO
DAVA PRA VER, O TEMPO RUIR..."

domingo, 2 de novembro de 2008

E lá se vai a tal da dignidade...

Bom dia amiguinhos já estou aqui, tenho tantas coisas pra nos divertir, quero você então contar até....enfim,é por aí que quero começar o post de hoje.Como aprendi a duras penas,histórias de humilhação e degradação pessoal são aquelas que mais prendem o leitor,e por sorte ou azar,minha vida é cheia desse pequenos anátemas de felicidade,e sem o menor pudor divido-os com meus amados leitores.
A história de hoje se chama “Estúpido,muuiiitooo estúpido!”
Retornemos a um distinto ano que não citarei ao certo, pois nem eu mesmo me lembro da data acertadamente, mas me recordo dos fatos como se fossem hoje. A história começa com esse blogueiro ligeiramente apaixonado (ops..acho que nunca citei essa frase por aqui) por uma mademoseille em questão. Porém a história começa a ficar dramática quando a moçoila me confessou em algumas palavras :” Ai Dani( não sei porquê sempre que uma frase começa assim sinto um jato de nitrogênio líquido na espinha) você é tão legal(começo a sentir algo como uma martelada no dedo mindinho) tão fofo (ok, a gente também diz isso pros macacos no simba-safari), sou feliz por ter um amigão como você!( Nesse momento rasguei o verbete “masculinidade” do meu dicionário). E a tortura não acabou por aí, como um caçador que quer ter certeza do abatimento de sua vítima, ainda dá um tiro de calibre 12 na minha jugular dizendo “ ai...to muito a fim do rodriguinho, você me ajuda?”
E é claro,como um bom pedaço de pão Pullmam, facilmente dobrável, aceitei ajudá-la nisso. A ajuda viria em forma de carona para uma balada,onde os dois iriam acidentalmente se encontrar.E fomos nós, eu e ela, diretamente para a morada de Satã.Lá chegando,via que ela estava ligeiramente ansiosa e eu só conheço um remédio pra isso. “Vodca!!”pedi para o garçom.E assim tem início mais uma jornada etílica, até que o bendito do Rodriguinho me aparece, todo arrumadinho, gel no cabelo, e com uma morenassa à tira-colo. Ao ver aquilo, a donzela(que nessa hora mais parecia uma prostituta bêbada) investe com mais força no álcool, mas infelizmente aquela quantidade do líquido sagrado não foi capaz de conter a enxurrada de lágrimas que veio a seguir.
Obviamente, o amigo Maionese(que só acompanha) estava lá para dar seu ombro amigo, mas que se não me cuidasse, viraria alvo do retorno do jantar dela em menos de alguns minutos.Foi quando ela balbuciou algo, que eu entendi como “preciso ir ao banheiro”,e lá fui eu deixá-la na porta do WC.Mesmo se ela tivesse dito “preciso de insulina urgente” eu a teria deixado na porta do banheiro do mesmo jeito. A fila estava imensa, então resolvi dar uma volta pela balada.Depois de uma meia hora a encontro parada no mesmo lugar,e a fila já formada por pessoas totalmente diferentes das que estavam Eis que pergunto: “Você não ia ao banheiro?” e ela, com a voz ainda embargada pelo choro e álcool (isso parece música do Belchior) me diz: “Não precisa mais!”
Inacreditável dizer que a cretina urinou-se na fila, sem ter qualquer discernimento de onde ela estava,molhou a roupa intima da mesma forma que uma criança de um ano e falando tanta besteira quanto. Sem saber o que fazer,fui buscar um copo d’água, mas quando volto, qual minha surpresa: O Rodriguinho esta xavecando a moça, e de maneira tão incisiva, que acaba levando-a para casa...em seu carro. Naquela hora tive vontade de pedir uma dose de conhaque e uma espingarda, mas me contive ao me conformar que pelo menos não seria o banco do meu carro que seria lavado em urina e álcool(olha o Belchior aí de novo).

sábado, 1 de novembro de 2008

Versinho branco nº 171


Por Felipe Grilo.

Se a Bienal de Artes
Deixa um andar inteiro vazio
Jurando que é arte
Quando é só falta de verba,
Por que é que eu,
Tão humilde artista,
Preciso escrever
Na falta de idéia?

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Nós.

Por Adriana Hernandes.

Nossa relação nunca foi das mais simples, verdade. O fato de você sempre fazer questão de me mostrar o quanto eu estava errada, e podar meus exageros, sem levar em consideração a minha inexperiência e falta de jeito em lidar com os acontecimentos, me incomodava demais, e ainda me incomoda. Não que eu quisesse ser digna de pena, ou que dissesse "amém" pra todas as minhas vontades, longe disso. Mas ser menos rude na forma de me conter cairia bem. Tapas na cara, por mais que sirvam pra nos acordar, ainda doem.

Também me aborrecia muito com essa sua maldita mania de correr. Perdi a conta de quantas vezes implorei para que você fosse mais devagar, com mais calma. Mas não: Me agarrava pelo braço e partia em disparada; sem perguntar se eu queria, sem se preocupar com os tropeços que levava pelo caminho, e muito menos se eu tinha fôlego para agüentar seu ritmo. Você é rápido demais pra mim, ás vezes parece que não corre, voa!

E quando eu queria voltar, pra consertar os estragos que deixei pelo caminho ou aproveitar outra vez aquele segundo único, você não me dava ouvidos e continuava em frente. O máximo que fazia era deixar eu olhar pra trás.

O curioso é que, mesmo com bons motivos pra querer desatar os laços e arremessar as alianças, nunca tive vontade de partir pra uma separação. Talvez por saber que, no fundo, a culpa por você reagir dessa forma era somente minha.

Mas admito que nem tudo eram trevas e por diversas vezes, a maioria delas, você me mostrou suas qualidades. Por exemplo:

Ninguém acertou com tanta exatidão a dose para o remédio que eu precisava, nem cauterizou tão bem as minhas feridas quanto você, as cicatrizes ficaram imperceptíveis.

Ninguém nunca me passou lições tão valiosas quanto as suas, também. Seus métodos eram rígidos e antiquados, mas eficazes. E mesmo não sendo a aluna mais aplicada, ainda lembro de certas aulas e tento aproveitá-las até hoje.

Por fim, ainda me deu os melhores presentes: Você me trouxe o caderno e a caneta, o aval para escrever a história a minha maneira, e a liberdade de tropeçar nas concordâncias e abusar das interrogações.

E eu ando praticando muito, escrevendo uma página por dia. Mas o que eu queria mesmo, Tempo, era saber quando, finalmente, você irá me trazer a razão.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Estimação.

Por Vinícius Noronha.


Ela não sabia pra qual animalzinho queria dar seu carinho. Tinha o mesmo apego aos bichos que os pais, defensores incansáveis dos direitos dos animais, mas ainda não elegera aquele que a contagiaria nas manhãs, aquele com a qual ela dedicaria horas de seu tempo livre para brincadeiras desnorteantes e felicidade compartilhada gota por gota de suor. Já tentou cachorro, gato, papagaio, hamster, marreco, sapo e até uma lagartixa, e nada. Era bom, era legal, mas não era algo mais. Não era, por assim dizer, afeto de quem se espelha.

Os pais diziam “Não se preocupe, é melhor amar os animais em geral que amar a um só e ignorar os outros, e você tem tanto amor dentro desse seu coraçãozinho que pode distribuir pra todos os bichos do mundo”. Aos cinco anos, isso é reconfortante por cinco minutos. Pelas ocupações da causa ambiental dos pais, a menina muitas vezes ficava sozinha em casa, ela e uma boneca, ela e um pente, ela e a sua sombra.

Um amigo era necessário, um que fosse como nenhum outro que ela nunca tivera. Até que um dia ela estava sentada num canto da sala, pintando qualquer coisa com seu lápis de qualquer cor, e uma barata pousou em seu desenho. A menina olhou. A barata parou. A menina a cutucou levemente com o lápis e a barata deu uma coçada em suas antenas e alguns passos pra trás. Então, a menina começou a fazer um traço em frente à barata, que seguia obediente cada reta, cada curva, cada mudança de direção.

Em cinco anos, nunca riu tanto. Fez então um traço descontínuo pra ver o que acontecia. E o inseto resolveu ir embora, na procura incessante de um ralo para se esconder. A menina observou muito atentamente o gesto desesperado do inseto e foi atrás, criando com a mão uma barreira para a passagem da barata, que parou, subiu em sua mão e ali ficou. A menina trouxe o bichinho para perto do seu rosto, observado cada movimento de suas patinhas e antenas. Esboçou um “oi”, e acreditou ter sido respondida, pois a barata moveu suas antenas de uma forma diferente. Perguntou se ela queria ser sua amiga, e ela começou a andar pelo seu braço, chegando próximo ao cotovelo, já de ponta-cabeça conforme se aproximava dos ombros, e depois voltou.

Um contentamento tomou conta da garotinha solitária. Havia finalmente encontrado um animalzinho que fazia jus aos seus cuidados e devoção. Tinha certeza que aquele bichinho estranho seria a melhor companhia para as manhãs silenciosas, tardes longas e noites misteriosas. Tudo a partir dali ganharia novas cores, sons, sentidos. Teria e daria atenção. Teria amor sincero. Teria vida.

Ela deixou a baratinha num canto da sala junto com o papel de seus rabiscos e foi correndo para seu quarto encontrar algo com a qual poderia fazer uma casinha. Revirou caixas, fundos de armários e espalhou revistinhas por todo o quarto. Encontrou uma velha caixinha onde guardava os sapatinhos de suas bonecas preferidas. Jogou-as todas numa gaveta qualquer e correu toda animada para a sala reencontrar aquela que dali por diante seria sua amiga mais confidente e verdadeira.

No caminho, ouviu um grito apavorante, Reconheceu a voz de sua mãe, mas nunca tinha ouvido um grito assim antes, tanto que ficou amedrontada e diminuiu os passos de sua corrida. A seguir, ouviu alguns barulhos como se fossem palmadas. Nunca tinha levado uma palmada, mas sabia o som, pois quando fazia alguma desordem seu pai dava uma palmada com o chinelo na quina do sofá em tom de ameaça, e ela entendia o que isso significava e não repetia o erro. De repente, os sons cessaram, e ela apressou-se novamente. Entrou na sala, mas não viu a nova amiguinha lá. Nisso seu pai passou por ela com uma pá de lixo na mão, e a menina seguiu. E foi então que, no fim do percurso, ela viu a barata parada no chão, imóvel, de ponta-cabeça com as antenas quebradas. E seu pai a recolhendo com a pá de lixo e saindo de casa para jogar na lixeira da calçada.

E então, ela chorou. Um choro sentido, como nunca antes havia chorado. Não entendia porque seus pais haviam matado o animalzinho que havia escolhido para amar. Não entendia como um amor a uma determinada “coisa” podia ter exceções. Não entendia que o que havia despertado nela de repente não podia mais ser demonstrado a quem a transformou dessa maneira.
Ela não tinha ainda pura consciência disso, mas naquele dia em que se dispôs a compartilhar tudo que tinha de melhor dentro dela com a baratinha que pousou em seu desenho, a garotinha teve suas primeiras grande lições sobre a vida: Que a humanidade é cheia de entrelinhas, exceções, contudos e entretantos. Que o amor é transformador, pois nos faz entrar em contato com partes de nós que, até então, pareciam adormecidas, mas que esse sentimento maravilhoso muitas vezes é incompreendido, ou subestimado, e é infinito enquanto dura. E que definições de igualdade existem para que uns sejam mais iguais que os outros.

domingo, 26 de outubro de 2008

Feitiços

Feitiço para atrair o amor:
Em uma noite de lua cheia, compre um sonho de valsa virgem( tem que ser virgem, senão não funciona). Quando o relógio der meia noite e vinte três, abra o sonho de valsa, passe em sentido horário nas regiões pudendas e grite o nome da pessoa desejada. Se o feitiço não funcionar, não aproveite o sonho de valsa.

Feitiço para conseguir dinheiro.
Em uma noite de lua nova, arrume 150 dólares virgens e ponha-os num pires branco( e virgem). Quando terminar a novela das oito, queime os 150 dólares e guarde as cinzas na carteira. Para encerrar, pegue um sonho de valsa e salpique os pedaços também na carteira.

Feitiço para comprar um carro novo
Num domingo chuvoso, compre trezentos bilhetes de loteria. Jogue os números que lhe vierem à cabeça e espere o resultado. Se os números que você jogou coincidirem com os que saírem, você terá conseguido o dinheiro para comprar o carro. Abrir um sonho de valsa na véspera ajuda a dar sorte.

Feitiço para conseguir um ingresso para o show do João Gilberto
Alguém realmente quer isso?

Feitiço para saúde
Numa noite de lua minguante, arrume dois quilos de sal, fio de ovos,sementes de abricó, salitre, metanol e um sonho de valsa. Misture tudo e tome um gole a cada cinco minutos. Você nunca mais irá se preocupar com sua saúde, pode ter certeza.

sábado, 25 de outubro de 2008

Lentidão.


Por Felipe Grilo.
Agradecimentos ao Dion e ao Kim (clique para ampliar).

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Por uma vida mais zen (noção)

Hoje eu trabalhei vestida com camiseta, calça de malha e tênis (e perfume italiano, que ninguém é de ferro).
Hoje eu comi frutos do mar, salada, goiabas, manga, mamão, granola e bala de algas (não ao mesmo tempo, é claro).
Hoje eu usei meu escapulário da sorte e duas pulseirinhas contra mau olhado e inveja (comprei as pulseiras há dois dias e o pingente de pimenta de uma delas furou a minha mão; é ou não é um sinal?)
Hoje eu fiz uma ótima ação e beneficiei alguém que merece (isso realmente foi legal).
Hoje eu tentei não lançar meu olhar de desprezo número 1 (mas é provável que tenha lançado o 5 ou o 8).
Hoje eu visitei uma loja de roupas feitas com algodão orgânico e natural e pensei em comprar coisas para o enxoval da Duda (só pensei, pois não tinha dinheiro; vocês sabiam que o algodão orgânico é marrom claro?).
Hoje eu fui a uma sessão de acupuntura (demorei uma hora e meia para chegar lá e elevei os meus níveis de cortisol aos píncaros, foi difícil relaxar).
Hoje eu marquei uma sessão de tarô (ganhei de presente de uma assessoria de imprensa, mal tenho tempo e grana para ir à manicure ultimamente).
Hoje me esforcei para não rir da cara de uma pessoa (mulher, óbvio) que me perguntou se está gorda (sim, está, mas eu não confirmei nada, estava com a boca cheia de goiabinhas - não as goiabas citadas acima, mas aquelas de pacotinho, cheias de gordura trans).
Hoje só gritei "Vai se ferrar, idiota cuzão!" e buzinei para a lesma da frente uma vez, no trânsito.
Hoje me controlei e não enfiei o meu carro na traseira do vizinho, que demorou um século para abrir a porra do portão e mais um século e meio para manobrar a merda do carro, enquanto a minha bexiga de grávida quase estourava de tão cheia.
Hoje só passei 3h45min no trânsito, ou seja, é quase inacreditável que não tenha matado ninguém até agora.
Hoje pretendo tomar um chá de erva cidreira e ouvir Madana, Mohana, Murari e relaxar antes de dormir (mas é provável que meu marido peça o divórcio ao chegar em casa e presenciar tal fato; mais provável ainda é que já esteja babando no travesseiro, no sétimo sono, antes de conseguir baixar a música na Internet).

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Bloqueio, não!

Por Adriana Hernandes.

Não sei se vocês já perceberam, mas o mundo entrou na era do bloqueio.
É bloqueio de celular, de cartão de crédito, de conta bancária, de contatos do Msn, de recados/fotos/vídeos do Orkut... Tem bloqueio de todos os tamanhos, formas, cores e sabores; pode escolher, fica a gosto do freguês.

Pra ser sincera, nenhum desses bloqueios me afeta diretamente, ou me deixa tão mal quanto um em especial, que costuma me assombrar de vez em quando: O bloqueio mental.

Não ligou o nome a pessoa? Eu explico: Bloqueio mental, é aquele bloqueio que te faz ficar parado(a), estagnado(a), apopléctico(a), em frente a página do Word sem idéia alguma para escrever nada... Nadinha... Necas de pitibiriba.
Você pode ouvir a música mais romântica, viver a paixão mais tórrida, ler Shakespeare ou se entupir de chocolate, nada vai te inspirar.
E isso é simplesmente horrível, já que esse bloqueio faz você apelar para subterfúgios nada nobres: Como escrever palavras difíceis pra enfeitar o possível texto e praticar a tão velha e conhecida arte de encher lingüiça.

Então, nobre colega que, agora, não consegue escrever aquela carta de amor, aquele relatório urgente ou aquela redação sobre desenvolvimento sustentável, te convido a participar da campanha "Bloqueio, não!".
Vista essa camisa, prenda esse botton no peito e grite aos quatro ventos "Bloqueio, não!".

Agora, se você é sensato o bastante para não pagar esse mico, aqui vão umas dicas: Relaxe, conforme-se, aceite sua condição de ser humano errante, perceba que você nunca estará sozinho nesse momento de agonia e tente novamente, mais tarde.

Assim como celulares, sistemas de bancos, programas de computador e páginas de internet; o ser humano também está suscetível a bloqueios e falhas. Todos nós temos dias de "fora de sistema", "fora da área de cobertura" ou "esse programa não está respondendo".
Está certo que nós não podemos nos formatar, nos levar pra assistência técnica, trocar o chip nem usar um Ctrl+Alt+Del nas situações complicadas. Mas não fique triste, isso é bom, é o que nos diferencia da semgracisse das máquinas e dá um gostinho especial na vida... Gostinho salgado, mas especial.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Confessionário.

Por Vinícius Noronha.


- Pode começar.
- Nem sei por onde...
- Comece pelo último, ou pelo primeiro. É sempre uma boa escolha.
- Tá. Tá bom. Vejamos... Eu tinha 8 anos e corria desesperadamente atrás de um garoto que havia caçoado dos meus sapatos. A gente cruzou o pátio todo, entramos em várias salas ainda em aula, foi a maior baderna. Quando finalmente o alcancei, eu o segurei pela gola e gritei algo que nem me lembro mais. Ele então olhou nos meus olhos, já imersos, e me pediu perdão. Ele me pediu perdão.
- E você?
- E eu estava completamente cego de raiva que só vi a boca dele se movendo, sem dar a mínima atenção às palavras. Fechei a mão e dei os socos mais duros e rancorosos da minha vida. Até que alguém viesse me impedir, eu já tinha transformado a cara do garoto em uma bola de sangue. Uma semana depois, chegou a notícia de que ele havia mudado de escola. Depois soube que não era apenas de escola, mas de cidade também. E por mais que me dissessem o contrário sempre acreditei que foi por algo provocado naquele incidente.
- Esta resposta você nunca terá. Você só tem a sua escolha.
- Eu errei. Eu guardei mágoa e errei.
- Há coisas que aprendemos na vida, mas nunca nos damos conta. Este é o momento perfeito pra você perceber isso. Mas antes, me conte mais uma.
- Isso não é fácil.
- Viver só seria fácil se a gente não soubesse que é apenas um tempo extra que temos antes de algo chamado morte.
- Ahn..
- Anda, conta mais uma.
- Eu tinha 25 anos, tinha um emprego razoável e um namoro estável, que todos acreditavam que daria em casamento. No entanto, qualquer vestígio de responsabilidade já me deixava de joelhos trêmulos.
- É. Você nunca reagiu bem às pressões. Engraçado, já que se pressionava tanto.
- Num dado momento, minha então namorada começou a falar de um sonho que teve, onde estávamos com nossos filhos já crescidos, em uma casa de veraneio, netos no colo, e de repente essa casa desmoronava e ela desesperada e soterrada nos destroços gritava meu nome. Ela salientou que não gritava o nome dos filhos, dos netos, nem de nenhuma outra pessoa que não fosse o meu.
- Claro, eles nem existiam, portanto não tinham nomes.
- Mas ela sempre citava os nomes que gostaria de dar aos filhos. Num tom sarcástico, meio que pra me irritar, mas sabia que eram suas futuras e verdadeiras escolhas.
- Ah sim. Enfim, continue.
- E então ela começou a chorar, e a dizer milhares de coisas... Disse que me amaria por toda a eternidade, que não passaria um dia sequer longe de mim, que vislumbrava um futuro perfeito ao meu lado. Isso em tese deveria me fazer sentir o homem mais feliz do mundo. Mas foi exatamente o contrário. Me senti indefeso, pequeno e amarrado diante de um destino imutável. Por três meses foi assim, até que decidi tomar as rédeas da minha vida novamente. Terminei esse relacionamento com a convicção de que tinha reconquistado o direito de escolher o melhor caminho pra minha vida.
- Sei. Se fosse assim você não precisaria estar aqui nesse momento.
- Sim.
- O pior é a sensação de que tornei alguém que amava infeliz.
- Você não tem o direito de lamentar assim por suas escolhas equivocadas. Você seguiu algo que estava vivo dentro de você, num sufoco que te mataria caso você prendesse mais um pouco.
- Eu não soube direcionar minha vida direito... Eu errei quando escolhi o emprego que em pagou melhor, porém me manteve distante das pessoas que eu mais amava. E eu fugi de casa tantas vezes em desespero só pra agoniar meus pais pra que eles me notassem, me amassem um pouco mais. E eu queria tanto aquele cargo na gestão... E dei nomes, fiz conchavos, fui um mau-caráter. Eu nunca disse um “eu te amo” que fosse verdadeiro em toda a minha vida. Meu compromisso era com o que a vida podia me oferecer de imediato, na borda do prato.
- Sabe qual foi seu pior erro?
- Dentre tantos. Não.
- Você não se conhecia. Você é um estranho para si.
- Que coisa estúpida, eu sou isso que você está vendo, essa infelicidade em forma de gente.
- Não, eu não estou vendo isso. Estou vendo alguém que foi vencedor e perdedor na vida. Alguém que é Deus e Demônio, o covarde e o herói, o mendigo do banco de praça e o senhor que dita as regras do jogo. Estou vendo um santo e um pecador. Um ordinário mesquinho incapaz de amar, e o amor personificado.
- Não é nada disso, eu...
- Quantas vidas você acha que são diferentes da sua? Você acha que na Terra só existem acertadores? Homens de sensibilidade suprema? Acha realmente que todos as gargalhadas e lágrimas que você assiste de camarote são sinceras? Quem você acha que pode questionar suas razões? Somos todos movidos por carência e medo, vaidade e destreza, compaixão e egoísmo. A busca da felicidade é vazia, porque ninguém percebe que o que na realidade existe na vida não é felicidade, e sim momentos felizes. Um dia você, eu, e todo mundo vamos perceber isso, e vamos pagar de bom grado o preço que vier por seguir o que sentimos.
O diálogo acabou por aí. Foi interrompido por um choro que foi engolido por tantos anos, em tantas situações, que fica impossível mensurar o grau de alívio que ele proporcionou. Depois disso, ele pode perceber que a paz mora nas coisas que explodem no vento, que transparecem na escuridão, e que gritam em sintonia no vácuo eterno.

domingo, 19 de outubro de 2008

Amor nos tempos de orkut

Não é segredo pra ninguém que o site de relacionamentos Orkut tornou-se um dos maiores pilares da mídia moderna, alterando até radicalmente, podemos dizer, a vida de todos os usuários que adentram esse mundo paralelo. Para alguns não passa de um mero entretenimento, mas para alguns é quase tão comum usar o orkut quanto comer ou fazer necessidades fisiológicas(para alguns o orkut é mesmo uma grande m....).
Mas um fenômeno desses não poderia passar impune no que tange às nossas vidas. Com uma coisa que pode mudar até maneirismos mais costumeiros, era óbvio que também alteraria algumas nuances de rotina. Uma das mais clássicas é no que diz respeito aos aniversários. Chega daquela boa e velha ligação pro amigo de infância, conhecido, primo,cunhado...nada amigo! Um bom e velho scrap resolve, e ai de quem reclamar( “E meu aniversário hein? Pó mandei um scrap no dia seguinte!”), ou seja, nem com o Orkut avisando, ainda tem gente que tem a cara de pau de esquecer!
Porém o motivo desse post, como vocês podem ter notado, é abordar o fato de como o Orkut pode influenciar de maneira tanto positiva, quanto negativa, nossos relacionamentos interpessoais mais íntimos.
De maneira negativa podemos colocar em pauta a crueldade que é você se esforçar para encontrar alguém por lá, que você não via faz tempo, e que tinha uma fagulha de esperança de pegar a cauda do cometa, quando pra sua surpresa está no status de relacionamento: NAMORANDO. É uma delícia, algo estupendo, eu compararia isso a comer creme de milho com asfalto(e eu odeio creme de milho!!).
Porém nem tudo é joio nesse mundinho virtual. O Orkut também veio pra ajudar em muita coisa, e uma das principais é o fato de você conseguir encontrar pessoas da balada, do barzinho, do cinema apenas sabendo o nome e o sobrenome. Fica fácil manter contato, e é pra isso que tiro o chapéu para o orkut. Se isso existisse a alguns anos atrás, com certeza muitas da minhas identidades que usei na balada teriam caído por terra. (ainda deve ter gente que acha que eu jogo no XV de Jaú). E já que coloquei na roda, vou citar pra vocês alguns de meus alter-egos, que costumava usar antes do advento do Orkut, acompanhado da estatística de quantas vezes deu certo.

“ Muito Prazer, Júnior Alexandre, meia-direita do Mogi Mirim!”( duas vezes)

“Carlos Antônio, Chef de cozinha e amante das artes plásticas”( uma vez, e quase fui agarrado por outros seres do mesmo sexo umas quatro!)

“Kaiodê, estudante de intercâmbio de Ziganda!”( uma vez)

“Claudinho Matarazzo, excêntrico milionário. Procuro amigos pra me ajudar a gastar minha herança sem qualquer parcimônia!”( Ok, esse nunca deu certo porquê nunca me deixaram entrar na balada de cartola, monóculo de prata e montado num avestruz. Se conseguisse seria batata!)

“ Daniel Bereco ao seu dispor!”( sem estatísticas pra esse ok?)

Enfim, bons tempos aqueles, que não voltam mais. Porém é melhor assim, as máscaras duram um pouco menos, mesmo que as surpresas possam ser desagradáveis, como achar aquela pessoa que você conheceu na balada e ao fuçar nas comunidades dela descobre que participa da comunidade “ Sim, eu tenho herpes bucal!”...Mas acontece...

sábado, 18 de outubro de 2008

Não analisem o autor.

Por Felipe Grilo.

Hoje eu não vou escrever nenhum conto, crônica, poesia ou charge irônica ou engraçadinha. Assim como o Daniel na semana passada, vou falar como eu mesmo, Felipe (comumente chamado de Grilo pelos amigos), mas por um acontecimento que fez desencadear o motivo deste texto.

Mostrei meu texto aqui em casa e meu pai me achou meio deprimido. Bobagem. Mas assim como ele, talvez algumas pessoas tenham pensado a mesma coisa. Por isso, gostaria de fazer um pedido a todos vocês, que lêem meus textos Coisetal: nunca, jamais, tentem encontrar resquícios da minha personalidade ou da minha vida por meio deles.

Não sei qual é a posição dos meus colegas aqui nos posts. Muitos, talvez, escrevam sobre o que realmente sentem, ou já sentiram, e são completamente honestos em tudo o que dizem. Eu já gosto de brincar com o raciocínio, com aquilo que pouca gente nota, e tal. Escrevi o "mau humor" porque, sim, estava de saco na lua, e aproveitei meu estado de espírito para mostrar que é possível fazer um texto bem-humorado sobre o mau humor.

Explicado o motivo controverso, queria dizer só mais uma coisinha. Aprendi com um amigo a não gostar muito que analisem minha vida nos textos. Porque tem aquele tipo de leitor que gosta de sentir a alma do artista, e daí parte para análises que beiram à psicologia "informal". E quando vem conversar com a gente, perguntam se está tudo bem, se eu estava falando de uma pessoa indiretamente (neste presente texto, não estou falando de ninguém em especial), se estou apaixonado. E então vão piorando o diagnóstico, afirmando que tenho traumas, que sou assim por causa disto ou daquilo, e que não sei lidar com este ou aquele assunto. Coisas do tipo. Daí eu tenho que explicar que não é nada disso: acho que textos autobiográficos são fáceis demais, e podem ficar muito comuns se não forem feitos por pessoas interessantes. Quem me conhece pessoalmente sabe que não é o caso.

Acredito que eu não sou o único a ter textos confundidos com páginas de diários. Meu estilo é mais racional e inorgânico, mas vejo muita confusão por aí quando se disserta sobre amor ou solidão. Deve existir uma cultura geral de "leitores-não-escritores", vinda do hábito das pessoas escreverem raramente e somente para desabafar, ou para chorar, ou apenas porque veio a inspiração e, em todos estes casos, nunca mostrarem a ninguém. Além de não tornarem o ato da escrita algo natural, quando o fazem, ficam com vergonha de publicar por acharem muito pessoal. Ao mostrarem, parece uma revelação: "oh, fulano SÓ está mostrando porque quis DIZER ALGO".

Além de tudo, pelo ponto de vista deste que vos escreve, é meio chato saber que alguns estão mais preocupados em conhecer os emaranhados infindáveis da alma do que apreciar toda a preocupação estética, a escolha do tema e das figuras, dos argumentos, das associações, das palavras e das idéias que você fez - tudo pensando no entendimento do receptor - enquanto se dedicava ao texto. Chato mesmo é saber que, ao mesmo tempo em que insistem na sua descoberta holística e se esquecem da obra, procurando um contato tão próximo com o autor pelas entrelinhas estreitas, não conseguem fazer o mesmo olhando nos olhos.

Para elas, gostaria de dizer que meu nome é Felipe (não sou o Renato Russo), sou tímido e introspectivo até o tutano, de saúde física frágil, estudioso e esforçado, nem alegre nem triste demais, com seus problemas e suas habilidades, um bom amigo apesar de distante, solteiro, cético espiritualizado e com suas teorias a respeito do relacionamento humano. Entre elas, a de que sociedade anda leviana com os sentimentos. Insensível, o ser humano se isenta do ser humano. E acha que meras palavras, viajantes de reinos distantes, podem substituir o carinho de um bom abraço.

Sintam-se abraçados.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Homens Frodo

Sim, eu sei que O Senhor dos Anéis não é um filme atual. Entretanto, sei também que muita gente viu a trilogia e que, portanto, um grande número de pessoas conhece a história e vai entender a comparação que vou fazer a seguir. Eu achei o primeiro filme bem interessante; o segundo, razoável, e o terceiro, nem consegui chegar ao final. Juro que enfiaria pipoca com pimenta nos meus próprios olhos se tivesse que encarar mais uma batalha de Orcs grunhindo contra aqueles cabeludos ensebadinhos do bem. Ok, eu ouvi dizer que a mensagem de O Senhor dos Anéis é edificante, que a honestidade e os bons princípios sempre triunfam sobre o mal e blablablá, mas não há alma nem glúteos que suportem quase seis horas de filme para chegar à essas brilhantes conclusões. Porém, graças à minha mente um tanto suja e debochada, consegui enxergar ali algumas pitorescas alusões aos relacionamentos amorosos. Bem, como não vi (nem quero ver) o final do filme, e, portanto, não sei qual final foi reservado ao Frodo (tomara que tenha, no mínimo, prendido as orelhas numa porta), talvez cometa aqui um erro de informação – me corrijam se estiver errada – e desconheça o fato de que, sei lá, Frodo teve uma grande virada na trama, virou traveca, descobriu que era filho da Liv Tyler ou qualquer coisa parecida. Pelo que pude perceber, no entanto, esse hobbit mala passou boa parte do filme com cara de palerma, segurando firmemente aquela porcaria de anel na mão (seria uma referência à famosa expressão brasileira, “com o c* na mão”???), enquanto o povo se matava para salvar o planeta.
Enfim, usei o Frouxo como uma das fontes de inspiração para o Manual da Ex / Manual da Atual na parte em que escrevo sobre como alguns homens se omitem quando vêem a ex e a atual namorada ou mulher se engalfinhando por causa dele. Como muita gente se divertiu com essa comparação – e eu, como já escrevi nesse blog, adoro uma listinha – resolvi listar mais algumas características dos Frodos. Cuidado, pode ter um bem perto de você. Veja:
* Frodos dizem “o problema não é com você, sou eu” na hora de dar um pé na bunda.
* Frodos afirmam que são traumatizados por causa de relacionamentos passados e que não estão “preparados” para assumir uma nova relação. Ah, mas na hora do “vamos ver” bem que eles estão preparados, não é?
* Frodos têm medo de mulher inteligente.
* Frodos têm medo de mulher bem-sucedida ou que ganham mais que eles.
* Alguns Frodos têm medo de mulher de uma maneira geral.
* Frodos choram e lamentam as misérias da vida, mas se irritam quando uma mulher quer desabafar no colo deles.
* Frodos argumentam que flores morrem logo ou são enfeite de velório para não presentearem as mulheres com buquês.
* Frodos são fofoqueiros.
* Frodos disputam a mesa da praça de alimentação do shopping com mulheres grávidas que avistaram o lugar primeiro. Isso aconteceu comigo na semana passada. Quem me conhece sabe que, é óbvio, eu botei o Frodo para correr e levei a melhor.
* Frodos não tiram o crachá da firma do pescoço quando vão almoçar no shopping. Sim, é o mesmo Frodo citado anteriormente.
* Frodos nunca enxergam as armações de ex barangas do tipo Sméagol – pior, as defendem se as atuais tentam convencê-los a enxergar a realidade.
* Frodos não vêem maldade em nada.
* Frodos reclamam de peculariedades femininas, como TPM, novelas, calcinhas penduradas no box, filmes românticos, esmaltes, maquiagem, etc. Ah, pelo amor de Deus! Vão se engraçar com o hobbit Pippin, que, aliás, tem um nome prá lá de sugestivo.
Como lidar com um Frodo? Berrar “seja macho” com um megafone às seis da manhã talvez o faça acordar para a vida, mas o melhor mesmo é se afastar de gente assim. Compre um poodle ou um PlayStation, vá praticar Yoga, lave a louça ou invista em uma faxina na casa. Qualquer coisa pode ser mais divertida, útil e gratificante.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Cadeira de Balanço.

Por Adriana Hernandes.

Dorme, pode dormir. Que nas próximas horas você seja apenas seus olhos fechados, pijama e cobertas. Braços soltos e pernas dobradas ao modo mais confortável que encontrar.

Dorme. Que nos sonhos que te acompanham você possa conquistar o que quiser: Pisar na lua, marcar um golaço, matar dragões, salvar o mundo ou simplesmente dirigir o batmóvel. E que a decepção não te enfraqueça assim que essa realidade derreter com o clarear de um outro dia.

Dorme. E aproveite ao máximo cada segundo desse sono terno, involuntário e que a vida, sem titubear, faz questão de tornar finito. Porque logo, logo, você perceberá que melhor que o sono dos justos, só mesmo o sono dos inocentes.

Dorme. Não tenha medo nem se assuste com os pesadelos e delírios que ousarem invadir a tua tenda. Eu lhe trago uma canção de ninar, a cura para todo o mal e a convicção de que minha missão na Terra é única e exclusivamente enxugar o suor do teu rosto e fazer baixar a tua febre.

Dorme, pode dormir. E assim que todo esse faz-de-conta acabar, e você der de cara com teto e paredes, tombe a cabeça para o lado e enxergue a sua maior fã, em silenciosa adoração, sempre alerta e a postos. Pronta para seguir suas ordens, acatar todas as suas vontades e te entregar o mais doce, quente e saboroso copo de leite.